
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça
(Chico Buarque)
Nick: Luka
Gênero: Mulher (tá)
Idade: 23 anos
Moro: Toronto, Canadá
Faço: Psicologia(afe!)
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É dificil defender, só com palavras, a vida
11.10.07
Being brutally honest:24 yrs old, still living at home and broke. Strong accent, speak broken english once in a while- you must be patient and NEVER doubt my intelligence. Shy and terribly afraid of the telephone( I probably won't call you back). Dark sense of humour. Internet addict. Unorganized and a procrastinator. Very good memory- I tend to spook people when I remember details about their lives, but I'm not nosy( I swear!). I can't dance, drive or play any sport. Plus, I don't have a fashion sense. I love books, history, unpractical philosophical discussions, movies (no dumb comedies or action flicks!), theater, photography and writing. You should like going to readings, performances, sketchy/bad plays and galleries. I know nothing about music- I probably never heard about your favourite band. You must be confortable with your sexuality. You should not be transphobic, racisr or a xenophobe.
Falando Sério
Tenho 24 anos e ainda moro com os meus pais. Desempregada e dura. Escorpiana nata. Humor negro: sarcasmo é o meu sobrenome. Terrivelmente tímida e anti-social- eu tenho medo do telefone(nunca ligo ou retorno chamadas). Memória muito boa- muitas vezes eu assustei pessoas por lembras detalhes da vida delas(eu juro que não sou fofoqueira!). Não tente me rotular, ou me mudar. Nunca duvide da minha inteligência, e não pise nos meus calos. Eu amo ler, História, discussões filosóficas e/ou sobre problemas sociais, filmes (sem comédias idiotas e filmes de ação), teatro, drag, fotografia e escrever (www.raspaserestos.blogger.com.br). Eu não sei nada de música, e provavelmente nunca ouvi falar da sua banda favorita. Eu não sei dirigir, dançar ou praticar esportes. E mais, eu não tenho a mínima noção de moda. Viciada em internet, disorganizada e procrastinadora. Não suporto racismo, xenofobia, homo/transfobia e pessoas que se acham superiores.
Luka
Os outros
24.4.06
Ostra
Molusco acéfalo hermafrodita que vive encerrado numa concha bivalve. Quer melhor definição para mim?Fechada. Cinza, dura. Uma coisa indefinida.Meio pré-histórica, exótica até . Ou você ama, ou detesta.Dizem ser capaz de produzir pérolas( eu mesma, nunca vi...).
Ninguém pensa muito em ostras. Afinal, o que há pra se pensar em moluscos acéfalos que vivem no fundo do mar? Mas todo mundo já pensou em pérolas.Ostra ¿feia¿ que se fecha e fica remoendo um grão de areia qualquer. Se não morrer antes, terá uma pérola. E se nunca quis um pérola? Sim, por que produzir uma pérola para os outros?
Ostra é a vontade de me fechar até não sei quando. Ficar quietinha, produzindo pérolas mortais. Pérolas que, na verdade, não tem nada demais...pérolas como tantas outras pérolas.
Ostra é a necessidade de ter uma concha bem dura e feia, pra proteger o interior mole.
Dias de ostra são dias em que todo o meu horizonte se resume á minha concha- meu quarto, minha casa, meu quarteirão.
Sou uma ostra!!!!!
Luka
Os outros
24.3.06
Medo
De perder. De ¿ficar pra trás¿(em todos os sentidos imagináveis). De perder minha sanidade, meu orgulho e minhas memórias. De não mudar. De incêndios. De pontes e trilhos de metrô. De rever pessoas perdidas. De julgamentos superficiais, por quem deveria me conhecer melhor. De perder um controle que (ainda) não tenho. De otimismo(s) cegos e idiotas. De pessoas perfeitas. De ser apenas comum(a lei do menos esforço!). De afastar pessoas sendo complexa demais. De situações sociais. De vícios. De me tornar amarga. De vinganças. De repetir error, ou reviver situações ruins.
Luka
Os outros
24.2.06
Então, você percebe que você é sim melhor que algumas pessoas. Essa coisa de ¿somos todos iguais¿ é uma grande merda, afinal, você se esforçou tanto e levou tanto tempo para ser quem você é. Você não pode ser exatamente igual a qualquer babaca por aí.
Você se dá conta também que não tem mais como avaliar as pessoas pelas aparências. Porque simplesmente não dá pra ser uma advogada hiper-foda de direito humanos e andar de coturnos e correntes. (Ok, exemplo exagerado).
( Você também conclui que gosto musical não é marca de qualidade. Que não faz mal ouvir uma música só pelo ritmo, pra se animar, ou pela companhia. E que existem boas músicas em todos os estilos)
Até mesmo por que você acha extremamente normal os seus comportamentos variarem dependendo do lugar e das pessoas. E pra falar a verdade, você até prefere escolher o que e pra quem se abrir. Não há nada de falso nisso, é apenas uma questão de adaptação para a sobrevivência. Veja bem, eu disse comportamentos e não personalidade.
Você pára de manter uma ¿contabilidade de favores¿, mas isso não signifique que você tenha uma amnésia permanente. O drama até pára, mas a sensibilidade continua- você simplesmente descobriu a tecla ¿foda-se¿.
Um dia você passa a gostar de rotina e horários( e organização). Quer dizer, se a tal rotina e horários te derem mais tempo para fazer outras coisas mais interessantes. É meio louco, mas você gosta de ter uma rotina exatamente para ter o prazer de quebra-la.
Você abandona alguns sonhos, sem dor alguma. Outros sonhos, você transforma em planos. E até repensa alguns dogmas, mas que só virarão planos quando e como você quiser. E tudo parece tão normal.
Em alguns dias, você se sente velha demais. Velha demais pra começar ¿tudo¿ de novo, para algumas incertezas e desilusões. E tudo o que quer é segurança e um lugar quente e calmo.Dane-se o novo: foda-se a pérola, eu quero apenas viver. Esses dias de velhice passam são cheios de indiferença, e ¿e daí¿s ¿: tudo é igual, tudo é cinza.
Noutros dias, é como se você tivesse nascido com os seus vinte e tantos anos. Tanto pra se fazer e descobrir, um mundo cheio de possibilidades. Tanto que precisa ser mudado, e o relógio digital que rouba cada segundo ( a analogia não é minha). Tanta coisa que você não sabe distinguir o que é real, do imaginado, do futuro, do passado. E o sol brilha, e os passarinhos cantam, e você até dança na praça.
Você entende melhor o que sente, e o que pode fazer para mudar essas emoções. Você se entende o bastante para saber que não pode julgar os outros ,isto é, se eles não forem completos babacas. Você é melhor do que algumas pessoas sim, mas deus-te-livre de se pensar perfeita!
Luka
Os outros
15.2.06
Talvez eu deva queimar todas as fotos e mementos da minha infância. Apagar todos os amigos antigos da minha agenda também. Reprimir memórias de um passado doce. E só lembrar da família no natal.
Talvez eu deva deixar meu cabelo crescer, usar maquiagem e salto alto.
Me contentar com um emprego na limpeza. Dividir uma casa(com alguém que eu odeie) em algum bairro dominado por gangues e mobiliar a casa com móveis do lixo.
Talvez eu deva esquecer como se escreve. Desprezar livros ,exposições, teatro, e filmes que não me façam rir. Claro, esquecer sushis, creme brulles e salmões defumados. E só ler jornais de crimes e esportes.
Talvez eu deva me casar com O primeirO idiota que aparecer- afinal, beggars cannot be choosers(tradução tosca: em cavalo dado não se olha os dentes). Obvio, ter filhos com a cara do desgraçado- por que o que mais uma mulher faria? E encontrar uma igreja, de preferência uma que use frase feitas e flores de plástico.
Talvez eu deva esquecer que a Europa e New Orleans existem. Que francês, italiano e japonês são línguas. Que rotinas podem e devem ser quebradas. Que é possível se sentir bem entre pessoas e lugares. Que eu tenho um cérebro, e planos importantes pra mim.
Assim, quem sabe, eu não ganhe uns pontos no meu cartão de karma.
Luka
Os outros
28.1.06
(Sim, graças, eu tenho pessoas assim na minha vida.)
Quero pessoas que gostariam de ter a vida que eu tenho. Quem ¿trocaria de lugar¿ comigo sem problema algum. Mesmo sabendo dos defeitos, mesmo tendo ouvido todas as reclamações, mesmo sabendo que falta uma porção de coisas. É preciso não ter pena - pois ter pena é simplesmente não querer estar na pele do outro. Só é necessário estar disposto a ser eu por um tempo: meu dia-a-dia , pensamentos, ambientes, emoções, delimitações, corpo e aparência.
Só quero também quem eu possa e consiga admirar. Não a admiração seca e altiva de um pedestal- mas cara- a- cara, dia-a-dia. Quem eu gostaria de ser, e que entendam essa minha vontade. E o mais importante- que acreditem que eu consiga. Preciso de pessoas que planejem comigo os meus sonhos.
Preciso de quem me espere, uma espera ativa, crescer ¿ e que eu também possa ensinar algo num processo mutuo. É fácil procurar pelo produto final, só que o produto final e perfeito pode ser amargamente independente.
Quero quem procure sempre entender o que se passa. E tenha a audácia de me contrariar e ter raiva de mim. Ou melhor, que (ás vezes) gastem energia brigando comigo e apontando erros - melhor do que indiferença, melhor do que ¿deixar quieto¿ pois ¿sabe que não vai adiantar nada¿.
E aceitem o pouco que eu posso oferecer em troca- e que fique subentendido que tudo o que quero , é o que procuro fazer ( não necessariamente esperando algo em retorno).
Não, isso tudo não é esperar demais. É só o diferencial de quem é especial pra mim.
Luka
Os outros
27.1.06
No espelho.
Antes, me olhar no espelho me estilhaçava. Não olhava, tinha medo. Espelhos que guardam as memórias dos mortos. Espelhos que guardam as minhas memórias.
Eu me olho no espelho, e a vejo. Espelhos de memórias, de vontades, do futuro.
Me olho, e tento descobrir em mim os caminhos do olhar dela. Pois os toques, os beijos, o cheiro e sensações ainda estão comigo. Lembro, e percorro caminhos com dedos.
Espelho que se transforma num lago de saudades. Que me permite me olhar nos olhos e ver uma faísca de querer se alastrando pelo resto de mim. Saudades tão afiadas como um pedacinho de vidro prateado quebrado.
Amor-luz, amor ¿raio. Amor refletido, correspondido, ninado, alimentado.. Sentimento que não está aprisionado em fotos, mas livre como imagens num espelho. Sempre comigo, como a minha própria imagem. Tranqüilo, mas capaz de me fazer descobrir emoções fortes. Tecido cautelosamente, e por isso tão aconchegante, tão certo. Amor que não é apenas amor.
Luka
Os outros
Conto: Palavas apenas.
E quando estávamos quase saindo, ela pegou minhas mãos e as beijou. Foi um gesto tão cavalheiresco e feminino, algo tão calmo e centrado, que me pegou de surpresa.
Lembro-me de pequenas cenas, conectadas por muito prazer. Como me mordeu o pescoço, e numa supressa, descobriu o meu cabelo. Suas mãos quentes cobrindo exatamente os meus seios, e depois, a língua intumescendo os bicos. Chupando, lambendo, mordiscando. O olhar d¿um fogo tremendo, a pele quente se misturando com a minha. Minhas mãos encostadas no seu pescoço durante o beijo demorado. E depois, descendo pelas costas. Tapinhas na bunda, dedos brincando em áreas sensíveis, pernas que se abrem - se abrem para mim.
A timidez que me fez ficar parada enquanto ela me pedia pra dançar. Luzes apagadas, eu de costas pra ela, eu começando a me movimentar aos poucos. Não esperava que ela se achegasse, e dançássemos juntas. Nuas no escuro. A próxima cena, ela me prensando contra a parede. Fusão total. Eu não sabia o que ela fazia, só sentia seus seios contra os meus, seus olhos, sua força. Eu não sabia se estava gritando, gemendo ou se tudo era na minha cabeça. Depois um líquido quente nas pernas, meu gozo, meu sorriso, o abraço forte - tudo depois, depois que voltei de lá.
Já na cama, lado a lado. Eu pensava: ¿não, não vamos dormir agora¿. Então, ela sem encostar em mim, pediu : ¿Fala alguma coisa, qualquer coisa no meu ouvido!¿. E eu vasculhando minha cabeça, pensando exatamente no que ela quer. Seria uma história safada com cenário, personagens, e fabulosos feitos? Qual cenário, quais personagens, o q? ¿Não vai dizer nada? Eu vou dormir então!¿ E virou nua na cama.
Não havia outro jeito senão falar algo, qualquer coisa. E no escuro mesmo procurei seu ouvido. E disse. Disse da sua beleza, do que queria fazer com ela, por onde começaria a toca-la, o que ela sentiria. Mordisquei a orelha, passei a pontinha da língua. Senti que ela gostava, só então encostei completamente em suas costas. Sem parar de falar, desci minha mão pelos seus seios - sem saber como prosseguiria.
Mãos desceram. Procurei sua boca - a senti minha. Uma sensação de domínio, um desafio que emanava dela, e só dela. Na próxima cena, não sei como, estou sentada em cima dela. Mão a fazendo ficar molhada, inclinada para continuar lhe falando no ouvido. Meus seios em suas costas. Pernas dela se abrindo, quadris se movimentando, bunda se arrebitando ¿ e eu ali, literalmente, cavalgando ma femme.
Sinto-a quente, molhada. Rosto modificado pelas sensações (tesão?) : olhos entreabertos, boca que hora sorria, hora se abria pra gemidos calados, hora soltava gritinhos. Meu dedo desliza para dentro dela, presto atenção na sua reação. Não há como descrever estar dentro de quem se ama: tatear, sentir-la por dentro também.
Eu a cubro completamente com o meu corpo. A provoco, a chamo de ¿minha putinha linda¿, arriscando e sem saber o que poderá acontece. E ela enlouquece! ¿Minha putinha quer gozar é? E se eu não quiser?¿ . Tiro a mão. Tenho o domínio, posso ler seus olhos. Não posso mais segura-la, a sinto mais um pouco. Seios, rosto ardente, pernas, músculos se contraindo. E, finalmente, encontro o tal ponto, o ponto que a faz sentir, o ponto que a faz gozar.
Nós duas, a abraço forte, ela enterra sua cabeça no meu ombro e chora. Essa mulher que tem toda força, chora em meus braços e pede minha proteção. Silêncio. Digo: ¿Você ta completamente chapada, linda! ¿. Silêncio, sorisso mais lindo do mundo. ¿ Eu nunca vi alguém assim.... por isso¿. Mais sorriso, ela tão leve me diz: ¿É você! ¿.
Luka
Os outros
26.1.06
Puramente Ficção
Naquele dia resolveu jogar, mesmo não gostando. Sempre lhe disseram que se seguisse as regras e apenas jogasse,como todos, seria mais feliz.
E fazia parte das regras não ficar triste. Podia ser séria, e até amargurada, mas nunca triste. Pensar em ¿demais¿ ou ¿filosofar¿ também. Fazia parte das regras estar sempre ocupada, assim dormiria melhor á noite. Fazia parte ter gente- amigos ¿ ao seu redor. E era mandatório ter uma relação amorosa duradoura. Precisava ir á lugares, ver e fazer uma porção de coisas. Era necessário competir. Era primordial ser melhor que todos- ¿o melhor possível¿. E era justo, apenas justo, ter fé em algo ¿maior¿.
Um jogo quase fisio-matemático, regido pelas leis da estatística e da ¿ação e reação¿.
E ela jogou direitinho o jogo da vida ( ê clichê desgraçado!).
Até que numa manhã de domingo, tomou várias pílulas e entrou na banheira cheia. O marido chegou após algumas horas, e já a encontrou morta. Sem uma carta, um bilhete- algo que pudesse ser entregue como explicação á filha quando esta fosse adulta. Sem motivos.
Um vizinho, já carcomido, comentou : ¿- Aí está uma verdadeira suicida¿.
Luka
Os outros
20.1.06
Para sair, drama em 9 atos.
1º.: regata, calcinha, meiões de futebol roubados.
2º. : camisa de manga e ceroula térmicas- fico parecendo um mergulhador.
3º. : Calça jeans e camisa de manga comprida.
4º.: outra meia, malha....e óculos
5º. : casaco e sapatos de neve.
6º.: Sair de casa. Procurar chaves nos trilhões de bolsos, fechar porta e corrente, guardar chaves. Chamar Elevador.
7º.:Gorro e cachecol.
8º. : Fechar zíper, abotoar, grudar velcros do casaco. Colocar gorro do casaco. Colocar luvas.
9º. : Sair do prédio.
Bônus: Conseguir combinar as cores de todas essas roupas
Luka
Os outros
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